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EROALDO DE OLIVEIRA

Política e recuperação da economia

07/11/2019 10h46 | Atualizada em 07/11/2019 10h51

Eroaldo de Oliveira (*)

O desempenho geral da economia brasileira vem mostrando sinais de dificuldade de recuperação. Períodos de recessão sempre foram os maiores temores de toda a sociedade, em especial dos países subdesenvolvidos. Experimentamos há menos de uma década sinais de crescimento voluptuosos e, por sua vez, uma migração significativa das classes sociais mais baixas para uma ascensão positiva.A ampliação do acesso à educação superior e o aumento na oferta de crédito fomentaram o empreendedorismo, e os investimentos tiveram seus bons momentos.

Alcançamos uma corrente vertiginosa no período de 2010 a 2014. Tivemos mais de 5,5 milhões de empregos criados no primeiro semestre de cada ano, segundo o Ministério da Economia, o que nos deu a sensação de que desta vez conseguiríamos alcançar a tão sonhada estabilidade econômica. E, ainda, que acabaríamos com a oscilação de crescimento, o conhecido ciclo econômico, típico de economias não sustentáveis, e nos depararíamos com uma crescente sustentabilidade de longo prazo.

No entanto, em meados de 2015, enfrentamos nossas primeiras dificuldades de mercado que culminaram não só com a diminuição da geração de empregos, como também a perda de postos de trabalho. Escândalos envolvendo políticos e grandes empresas mancharam a reputação nacional para o mercado externo, a economia sofreu muito e os investidores colocaram em cheque a verdadeira capacidade de recuperação econômica do nosso País. Passamos por processos políticos polarizados e a disruptura ocorreu de forma abrupta, o que por si só já nos dá ares de novidades e de esperança na recuperação.

Ao analisarmos o panorama nacional atual muito se faz lembrar das gestões tecnocratas. O termo apareceu pela primeira vez há cerca de 2.500 anos, por Pitágoras. Este tipo de gestão contemporaneamente foi aplicado na Itália e Grécia, no auge da crise econômica desses países, e consiste em governar por capacitação técnica, com planejamento rigoroso de desenvolvimento. Por não ter obtido êxito na solução de problemas de uma democracia ávida, acabou ganhando significado pejorativo. O distanciamento da política propriamente dita, de forma abrupta e rigorosa, pode ser o ponto fraco deste modelo de governabilidade.

Para o Brasil isso não é novidade, tivemos a experiência de João Goulart, 1961 a 1964. Na sequência, as adaptações realizadas pelo Governo Militar consideraram as orientações técnicas como balizadores de políticas econômicas necessárias para o Brasil, mas, de forma impositiva, tiraram qualquer participação da sociedade. Política e socialmente, na opinião de muitos, pode haver pontos negativos, mas indiscutivelmente naquele período o País cresceu no setor de infraestrutura, o que desencadeou notável e importante crescimento econômico.

Esta breve análise histórica do modelo de governabilidade não estabelece aqui que deve ser este o modelo aplicado atualmente no Brasil. Fatos históricos nos dão base para análise de cenários e correção de possíveis falhas, que impediriam a conquista do bem comum, que é o sucesso da política econômica de qualquer nação.

Recentemente passamos por uma grande e pesada batalha nas reformas legais e de aprovações de leis específicas, baseadas em critérios técnicos que aparentemente são impopulares, mas que marcaram positivamente a perspectiva de recuperação da economia brasileira. Entre essas estão a aprovação do teto de gastos no Governo Temer, a redução da taxa Selic de 14,25% para 6,5% (Fonte: BC) - entre junho de 2016 a março 2018, a reforma trabalhista, medidas que ajudaram a diminuir as consequências da crise.

Além da aprovação da Reforma da Previdência, encabeçada pelo governo Bolsonaro com o apoio das casas legislativas, o que demonstra o entendimento sobre as necessidades da economia nacional, mesmo neste cenário político acirrado e polarizado. Articulações políticas e decisões econômicas tomadas com base em análises técnicas fazem enxergar a possibilidade de crescimento sustentável, com impacto que repercutirá por muitos anos.  

Sendo assim, com o modelo sistemático de gestão tecnocrata e habilidade política podemos esperar tempos melhores com a recuperação da confiabilidade externa, controle dos gastos públicos, saneamento do déficit da previdência e ampliação dos investimentos em infraestrutura e modernização dos parques industriais do país. Ainda agregando valores aos nossos produtos primários e mantendo a competitividade em nossas exportações de grãos, carne e derivados alimentícios, estamos no caminho certo para um modelo sustentável de gestão política e econômica.

EROALDO DE OLIVEIRA – Economista, formado na UFMT, militar da reserva, foi Secretário Adjunto de Saúde, Secretário Adjunto de Gestão, Secretário de Gestão, Diretor Executivo de Previdência e Secretário Executivo do Comitê Econômico Gestor de Cuiabá (2014-2016).  Atualmente é consultor administrativo e financeiro e executivo da área suplementar de saúde em Cuiabá.

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