PUBLICIDADE
QUETLIN HEIDRICH

De miss Mato Grosso a campeã de fisiculturismo

Nossa equipe conversou com a “Miss-Fisiculturista”, que nos contou um pouco de sua história

Tarley Carvalho

Acesse o Blog

07/11/2019 12h04 | Atualizada em 07/11/2019 12h28

De miss Mato Grosso a campeã de fisiculturismo

Arquivo Pessoal

Ela é linda e chama a atenção de todos por onde passa. A beleza de Quetlin Heidrich foi um fator que facilitou para que ela acumulasse quatro faixas de miss ao longo dos últimos anos. Cada conquista é referente a uma organização diferente, já que são várias as que promovem esse tipo de concurso. Anos se dedicando a concursos de beleza, ela decidiu voltar à prática daquilo que mais gosta: a musculação. E, com sua determinação, acabou se tornando fisiculturista, vencendo seu primeiro campeonato 12 meses depois de voltar aos treinos.

Nossa equipe conversou com a “Miss-Fisiculturista”, que nos contou um pouco de sua história. Quetlin tinha apenas três anos de idade quando começou a dançar balé. Na época, ela morava na cidade de Alta Floresta (793 km de Cuiabá).

Aos oito anos de idade, ela se mudou para Macapá, capital do Amapá, e deu continuidade às aulas de balé. Dois anos depois, Quetlin ganhou uma bolsa para se dedicar mais à dança e passou a frequentar as aulas todos os dias.

“Aos 10 anos, eu tive minha primeira atividade remunerada na dança. Ganhei uma bolsa e passei a ir todos os para as aulas. Fazia desde as aulas das turmas de baby [crianças mais novas] até as aulas das turmas avançadas. Eu era da última turma, mas ficava em todas as aulas. Eu ficava das 14h às 18h e, se a professora deixasse, eu ficava mais”, relembrou.

Na dança, Quetlin decidiu expandir seus conhecimentos e começou fazer aulas de outras modalidades, como jazz e balé contemporâneo. Foi com 13 anos que a adolescente passou a fazer musculação.

“Eu era muito magra, pois gastava muita energia e não conseguia comer tudo que precisava comer para repor as calorias gastas. Nessa idade, as meninas já tinham um corpo desenvolvido, principalmente por eu ser adiantada no colégio e meus colegas serem mais velhos”, conta.

Me vinguei ficando linda – Essa falta de desenvolvimento do corpo fez com que Quetlin se tornasse alvo de bullying na escola onde estudava. Foi a humilhação que passava que a incentivou a buscar a malhação, para ter desenvolvimento muscular e melhorar o aspecto estético.

Com 16 anos, Quetlin se mudou para Brasília. Foi lá que sua vida nas passarelas começou. “Quando eu estava lá, fui chamada para representar Mato Grosso em concursos de beleza. Eu tinha participado de um concurso e fiquei em 3º lugar. Quando viram que eu era de Alta Floresta, falaram que poderia ser indicada para representar o estado em outros concursos de beleza, que seria mais indicado por estarem precisando de uma Miss Mato Grosso Globo”, explicou.

Com sua entrada no mundo das misses, a adolescente precisou se adequar a algumas coisas. Como ganhava massa muscular com facilidade, seus preparadores a orientaram a parar duma vez com a musculação e demais atividades esportivas. Isso porque, devido aos esportes, ela tinha adquirido pernas grossas e bumbum grande. Além de parar com os esportes, Quetlin acabou reduzindo as aulas de balé, já que sua panturrilha – batata da perna – também era bastante desenvolvida.

Para perder massa muscular, a jovem começou a cortar os carboidratos, mas isso acabou mexendo com seu metabolismo e, consequentemente, com a estética. Por conta dessa dieta restritiva em carboidratos, ela desenvolveu compulsão alimentar e acabou, por várias vezes, recuperando o peso perdido na dieta, por vezes engordando até mais do que perdeu, o chamado “efeito rebote”. Tudo isso acabou prejudicando seu corpo, ocasionando num aumento descontrolado do percentual de gordura e retenção de líquido.

Quetlin acabou ficando flácida e passou a ser chamada de “Miss Plus Size”, termo para se referir a pessoas acima do peso ideal, pelos missólogos, estudiosos desse tipo de concurso.

Embora os sacrifícios tenham garantido suas faixas, a jovem se afundou em uma crise de depressão. Aos 19 anos, decidiu retornar ao Mato Grosso e ficou em Cuiabá, onde o pai reside.

“Meu pai, que já foi atleta, me disse “minha filha, não adianta você tentar se encaixar em um padrão que não é seu. Você tem estrutura para ser uma grande atleta. Olha o que você fez com o seu corpo e sua mente. Você precisa voltar pra academia e ficar forte de novo””, relembrou.

Sua volta à academia não foi só para ganhar massa muscular, Quetlin se reencontrou.

Ingressando no fisiculturismo

Depois de ter se matriculado na academia, Quetlin passou a contar com a ajuda de um amigo, Lucas Milhomem Duailibe, também fisiculturista, que acabou se tornando seu namorado e hoje marido. A jovem então voltou a treinar e a se atualizar sobre nutrição esportiva e musculação, além de mudar a dieta. Essas mudanças já foram feitas com foco em se tornar uma atleta de fisiculturismo.

No torneio, ela levou pra casa o troféu Top 1 Wellness até 1.63, uma das categorias, e o troféu Overall Wellness troféu da campeã das campeãs.

Na ocasião do torneio, foram vários os “textões” publicados por ela em suas redes sociais, descrevendo toda a alegria que sentia em conquistar os prêmios, sempre exaltando que havia se encontrado.

“Essa serumaninha (SIC) aí do meio... esse momento não foi apenas a realização de um sonho. Foi um ser humano se encontrando em plenitude e tendo certeza do quer para o resto de sua vida. Eu estava realmente feliz. O meu sorriso não foi forçado, como foi em muitos concursos de miss que participei. Meu sorriso era do fundo do meu coração, do interior mais profundo da minha alma”, publicou em seu Instagram.

Hoje, a rotina de Quetlin se baseia em uma vida saudável, com o máximo de equilíbrio possível. A atleta passa até três horas por dia na academia, não consome bebida alcoólica e nenhum tipo de fumo, além de controlar os alimentos que come.

Contudo, para equilibrar a dieta, uma vez por semana a atleta faz uma refeição livre, incluindo quantidade e todas as comidas que desejar. Além de ser uma forma de manter o controle emocional, também é uma estratégia adotada por fisiculturistas pra ter respostas positivas no corpo, tendo em vista que durante a semana fazem uma dieta limpa.

Quetlin também deixa de malhar uma vez por semana. Isso faz parte do respeito ao corpo e do equilíbrio para mantê-lo saudável, já que, por mais saudável que seja, ele também precisa de descanso.

Sua rotina começa às 4h30, quando acorda e medita, lê um livro, agradece por mais um dia de vida e por mais uma chance de atingir seus objetivos, e planeja o dia que está começando. É só às 6h que ela se dá ao luxo de mexer no celular. Questionada sobre de onde vem todo o ânimo, ela atribui aos astros.

“Eu sou uma capricorniana como qualquer um (risos) que quer ser bem sucedida. Então eu faço tudo por isso. Sabe o que é tudo? T-U-D-O! Até acordar 4h30”, explica.

Agora, Quetlin Heidrich se prepara para disputar os próximos torneios que ocorrerão. O objetivo é trazer ainda mais troféus para casa. Para isso, ela tem feito 3h de exercícios aeróbicos diariamente, 2h de musculação e bebendo cerca de 6 litros de água por dia.

Veja fotos
Previous Next

Comente, sua opinião é Importante!