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IDEIAS QUE TRANSFORMAM

Confira os principais desafios da mulher empreendedora

Mesmo com todo o debate sobre igualdade, mulheres ainda enfrentam barreiras, mas se consolidam nos setores de alimentos e beleza

Priscilla Silva

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08/11/2019 13h03 | Atualizada em 08/11/2019 13h30

Confira os principais desafios da mulher empreendedora

Gilberto Leite

Debater a promoção da igualdade e o empoderamento de todas as mulheres ainda é necessário. O progresso de ocupação do gênero aos espaços de liderança ainda é lento e ocorre de forma desigual. Um desses lugares é o de empreendedorismo. Dados mostram que para abrir seu próprio negócio, as mulheres enfrentam mais barreiras do que os homens.

Os obstáculos vão desde a aquisição de empréstimos com taxas de juros mais altas a ganhos menores do que os dos homens. Mesmo assim, elas dominam setores como o alimentício, com uma representação de 75% do total de empresas.

“Pesquisas mostram a ascensão do universo feminino. Têm muitas nas forças armadas, tratoristas, motorista de aplicativo. Vemos que não se discutia a capacidade da mulher, mas o preconceito. Porque ela é tão capaz quanto o homem”, pontua Marta Torezam, gerente de Empreendedorismo do Sebrae-MT.

É visível que as mulheres têm ocupado espaços que predominantemente eram preenchidos por homens e alguns estranham que ainda há debates sobre o tema. O problema é que uma mesma ocupação traz resultados desiguais, e nessa balança, a figura feminina sai perdendo. 

As mulheres respondem por 34% dos 27,4 milhões de donas de negócio existentes no Brasil, conforme pesquisa feita pelo Sebrae sobre o empreendedorismo feminino, divulgada em março deste ano. Apesar de registrar avanços, na hora de crescer e se converter de empreendedoras a donas de negócio, as barreiras aparecem. Levantamento do Sebrae identificou que essa conversão é 40% mais baixa do que acontece nas empresas chefiadas por homens. Há uma desistência maior. 

“Em pesquisa voltada para mulheres, há evidência de que a mulher tem barreiras no mercado. Dificuldade de buscar alternativas para se sobressair. Que ainda existe desigualdade em relação a gênero. Ouvi depoimentos de mulheres que relatam que a mulher não chega a ser uma grande empresária. A minoria chega a ser uma grande empresária, mas geralmente elas param em pequena a média empresária”, ressalta Rosicley de Siqueira, professora mestre do eixo gestão da Faculdade de Tecnologia do Senai-MT.

Incubadora visa formar novas ‘Donas de Negócio’

Diante do cenário de desigualdade no qual está inserida a mulher empreendedora, a Organização Internacional do Trabalho promove ações voltadas para o empoderamento feminino. Em Mato Grosso, a agência, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), financia a criação de uma incubadora tecnológica de alimentos com foco em mulheres empreendedoras, desenvolvido na Faculdade de Tecnologia Fatec do Senai-MT.

“Ao todo, 60 mulheres devem participar da primeira etapa. Dessas, 30 irão para o processo de pré-incubação – que são três oficinas de 12 horas. Elas vão aprender a respeito de cada etapa do processo de gestão, como lidar com o cliente, entender o mercado em que estão inseridas, saberão sobre a legislação e, por fim, tratar da atividade em si, fabricação, segurança alimentar”, detalha Dayane Stellato, professora mestre eixo do produção alimentar e coordenadora do projeto.

Ao final de todo o processo, três mulheres terão os projetos selecionados para a fase de incubação, que deverá durar um período de seis meses. 

“Objetivo é que elas saiam daqui empreendendo ou que melhorem seus processos. Melhorando os produtos, elas conseguem vislumbrar um lucro. Padronizando, elas vão saber a quantia que gasta e a ideia certa de cada coisa”, ressalta a coordenadora. 

Um dos pontos chave do projeto é incentivar a inovação dentro do contexto mato-grossense, agregando mais valor ao trabalho desenvolvido pelas mulheres que participarão da iniciativa.

“Sabemos que quando se fala em inovação, Mato Grosso é um estado promissor. Muitas ideias surgem nos bastidores das atividades que são desenvolvidas aqui. A inovação dentro do projeto é trazer uma ideia viável e partir dela agregar valor para essas mulheres. Que elas saiam daqui com sucesso garantido”, ressalta Rosicley de Siqueira, professora mestre da Fatec Senai.

Pesquisa revela o perfil das empreendedoras

A maioria das mulheres que optam pelo empreendedorismo é por necessidade. São 44% das mulheres contra 32% dos homens que abrem um negócio para ter uma fonte de renda, aponta o levantamento Empreendedorismo Feminino, realizado pelo Sebrae. Uma iniciativa que muitas vezes começa sem suporte ou estrutura suficiente para manter o negócio.

“Muitas vezes ela não consegue ter suporte e acesso ao conhecimento suficiente para se tornar uma megaempresária, o que a maioria dos homens consegue”, indica Rosicley de Siqueira, professora mestre do eixo gestão da Faculdade de Tecnologia do Senai-MT.
Além de estarem à frente de negócios de porte menor, há desigualdade relacionada aos ganhos e ao tempo de trabalho. As donas de negócio ganham 22% menos do que os homens, destaca a pesquisa do Sebrae.

“Mesmo a mulher com toda sua capacidade ainda tem uma discriminação. Porém, esse é um processo até de acreditar. Vem da cultura dos costumes”, pondera Marta Torezam, gerente de Empreendedorismo do Sebrae-MT.

A maioria das mulheres microempreendedoras individuais (MEI) está em atividade de beleza, moda e alimentação, aponta a pesquisa feita pelo Sebrae sobre o empreendedorismo feminino, divulgada em março deste ano. No entanto, o começo de uma atividade nem sempre é baseada em planejamento, o que pode resultar em fracasso. 

“Conhecimento é poder e diferencial, faz com que o produto seja melhor. Você fideliza seu cliente, porque domina ferramentas de negócio que te auxiliam. Às vezes, a falta de prática de gestão faz você perder público e mercado”, ressalta Moisés Botelho, professor mestre no eixo gestão da Fatec Senai.

 

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