RIQUEZA DO CAMPO

Agro tem oportunidades para todos

Indicadores mostram que expansão da agropecuária gera milhares de empregos, mas falta mão de obra especializada para atender a demanda

Priscilla Silva

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11/09/2019 06h29 | Atualizada em 11/09/2019 08h52

Agro tem oportunidades para todos

Senar / Divulgação

A agropecuária é um dos setores que mais contribui na geração de empregos no país. Só em julho deste ano o setor gerou saldo positivo de 4.645 novas vagas de trabalho, uma alta de 0,29% na comparação com o mês anterior. Já no acumulado do ano, entre janeiro e julho, o total de novos postos de trabalho foi de 82.165, sendo 5,28% a mais que o mesmo período de 2018. Os dados são do Cadastro Geral de Empregos e desempregados (Caged), que são divulgados pelo Ministério da Economia. 

De acordo com boletim técnico da Confederação de Agricultura e Agropecuária do Brasil (CNA), o primeiro semestre de 2019 foi marcado pela expansão do número de vagas formais de trabalho na agropecuária, com 75.380 novos postos, perdendo apenas para o setor de serviços (272.784 vagas). 

O estudo da CNA também trouxe um panorama das principais atividades do setor agropecuário que apresentaram expansão de postos de trabalho em junho de 2019. Nesse mês, o cultivo da soja em Mato Grosso ficou em destaque com a geração de 2.925 de postos vinculados. Depois de Mato Grosso ficaram Mato Grosso do Sul com 265 postos e Goiás com 134 postos.

A estimativa de produção agropecuária em Mato Grosso é de crescimento. Para atender o setor há necessidade de mais mão de obra, o que deve tornar mais frequente o movimento de volta do homem ao meio rural, ou mesmo a permanência dele, invertendo a tendência das décadas anteriores. 

“As pessoas da área urbana estão cada vez mais presentes no campo. Isso é mais comum num nível de formação mais elevado, como agrônomos, veterinários, zootecnistas. É comum perceber pessoas de fora do setor, principalmente nessas carreiras. Até com o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] essas possibilidades acabam se ampliando, são pessoas vindo de outras regiões e famílias de classes sociais diferentes. Essa é uma tendência e está crescendo cada vez mais”, observou Otávio Celidonio, superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). 

Ainda falta mão de obra qualificada na zona rural

Apesar de haver uma tendência na migração de especialistas da zona urbana para a rural, a maioria dos trabalhadores rurais ainda tem origem no campo e com nível de escolaridade baixo. Celidonio explica que os indicadores que mostram nível de formação das pessoas contratadas na agropecuária, que atuam dentro das porteiras, ainda mostram baixo nível de alfabetização e qualificação.

“Dentre todas as pessoas com carteira assinada, que são analfabetos, por exemplo no nosso estado [Mato Grosso], mais da metade deles trabalham dentro das fazendas. Conforme o nível de formação vai aumentando, a proporção daqueles que trabalham dentro da agropecuária vai diminuindo. É o setor que tem o menor tempo médio de formação. Um profissional no campo estudou em média nove anos, enquanto nos serviços estudou em média 12 anos”, explica. 

Junto com o crescimento da agropecuária tem se observado o aumento da presença de tecnologias voltadas ao campo. São ferramentas que permitem o controle da produção, análise de dados e até operação de máquinas, que mostram que o setor está cada vez mais especializado. 

O avanço dessas tecnologias força o trabalhador rural a buscar especializações para manter-se empregado. 

“Percebemos que para trabalhar no campo cada vez mais é exigido conhecimentos e uma formação constantes. Existe uma necessidade de busca por qualificação. É uma oportunidade para quem está no mercado de trabalho, mesmo quem não tem formação ou nível de educação elevado. Quem se atualiza e capacita tem mais oportunidades do que uma pessoa que teve uma formação melhor e não encara esse desafio de se profissionalizar”, avalia.

Habilidades do futuro para trabalhar no campo

Para atender a demanda de mão de obra qualificada, entidades do setor do agronegócio em Mato Grosso buscam traçar o perfil de cada região e encontrar soluções. Conforme o superintende do Senar, Otávio Celidonio, pesquisa feita pela entidade mostrou que o maior problema do setor produtivo no estado é a falta de mão de obra qualificada. 

“Usamos uma metodologia em que os produtores estavam livres para falar do problema. Percebemos que em todos os lugares foi apontado que o problema considerado pelos produtores muito urgente e grave, em notas de 0 a 10, era 9 a falta de qualificação”.

Independente do emprego – no campo ou na área urbana –, o mercado de trabalho muda a cada período. De acordo com relatório produzido pelo Fórum Econômico Mundial, publicado em março deste ano, 35% das habilidades mais procuradas devem mudar até 2020. Na lista estão qualidades como resolução de problemas complexos, pensamento crítico, inteligência emocional e capacidade de julgamento e de tomada de decisões. Habilidades que já são cobradas no campo. 

“As carreiras em si não mudam, o que tende a mudar são as competências. As pessoas precisam saber utilizar equipamento extrair informações e isso é o básico. Cada dia mais tem que ter rotina, protocolo, padrões, porque o setor vem se profissionalizando e tem que seguir o progresso. Precisa-se de pessoas que tenham habilidade mínima para absorver informações e ajudar na tomada de dados”. 

O Senar é uma instituição que promove ensino rural voltado para qualificação de produtores e trabalhadores, rurais ou urbanos. A entidade promove cursos de treinamento e capacitação em todo o estado. Os cursos são ofertados a pedido dos sindicatos rurais de cada região, sendo assim, os que planejam uma carreira dentro do campo devem buscar informações junto a eles (sindicatos). 

CRESCIMENTO CONSTANTE

Conforme relatório de conjuntura do mês de agosto deste ano, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o setor agropecuário mantém o índice de aumento de emprego. Em junho, existiam 843.729 pessoas trabalhando no setor em todo Mato Grosso, número que subiu para 847.898 em agosto, aumento de 0,5%. 

Já dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que a participação do agronegócio no mercado de trabalho brasileiro foi de 19,68% no segundo trimestre de 2019. O número de pessoas ocupadas no agronegócio brasileiro somou 18,37 milhões no segundo trimestre deste ano. 

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