FOME DO DRAGÃO

China abre 'porteiras' para Mato Grosso

Plantas frigoríficas instaladas no estado devem passar a vender entre seis e oito mil toneladas de carne por mês para os chineses 

Priscilla Silva

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10/09/2019 06h11 | Atualizada em 09/09/2019 19h36

China abre 'porteiras' para Mato Grosso

Flickr/CC

Oito plantas frigoríficas de Mato Grosso foram habilitadas para vender carnes para a China, conforme comunicado do órgão de sanidade chinês (GACC), enviado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta segunda-feira (9). Ao todo, 25 novas plantas foram habilitadas em todo o país e sobe de 64 para 89 o número de estabelecimentos qualificados no Brasil. 

A notícia é comemorada pelo setor, que há quase quatro anos acompanhou o processo de habilitação dos frigoríficos. As negociações foram conduzidas pelo Mapa, pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Embaixada do Brasil na China. 

“Acompanhamos de perto o processo. Fomos atuantes nas nossas solicitações para que o estado de Mato Grosso estivesse bem representado, com várias unidades e graças a Deus conseguimos. Agora estamos alegres e confiantes de que a gente passa a ter um mercado muito mais promissor e maior em nossas mãos do que já temos”, comemorou Paulo Bellincanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT). 

As 25 empresas habilitadas nesta lista já podem exportar imediatamente. Dentre as plantas, oito estão em Mato Grosso: seis são de carne bovina, uma de frango e uma de suíno. 

Juntas, as plantas frigoríficas instaladas em Mato Grosso devem passar a vender entre seis e oito mil toneladas de carne por mês para a China. Esse volume deverá ser atingido dentro de quatro a seis meses, de acordo com os cálculos de Bellincanta. “Expectativa é que a partir do mês que vem comece [as exportações], mas para que seja consolidado precisa passar por esse tempo de maturação de mercado”, avalia.

O representante do setor lembra que foram quase quatro anos de conversas e regulamentações para atender o exigente mercado chinês. Bellincanta também reconhece o esforço do Mapa e dos frigoríficos para se adequarem às regras dos chineses. 

“O sindicato reivindicou o aumento das plantas, mas o Ministério da Agricultura é que fez o grande trabalho. O mérito disso é da ministra Tereza Cristina e dos técnicos que conseguiram atender às reivindicações dos chineses. A China impõe vários quesitos para que uma indústria possa exportar para lá, como rastreabilidade do animal, processo e procedimentos. São exigências que o país faz com bastante rigor. Foi um trabalho em conjunto, com o processo acompanhado pelo Mapa e as indústrias que fizeram o dever de casa”, explica Bellincanta.

Para o sindicato da classe, o processo de habilitação das plantas foi acelerado nos últimos meses devido à visita da ministra Tereza Cristina e comitiva à China. Na ocasião, a ministra também percorreu outros países asiáticos com o objetivo de ampliar a venda dos produtos agropecuários brasileiros. 

De acordo com o Mapa, todos os estabelecimentos interessados em realizar Comércio Internacional - Exportação devem solicitar ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) os requisitos sanitários exigidos pelo mercado pretendido. Após parecer favorável do SIF, todos os documentos necessários deverão ser encaminhados para o SISA/SIFISA/SIPOA da SFA do Estado onde se encontra o estabelecimento.

MERCADO MAIOR

A habilitação de mais oito plantas frigoríficas deve aquecer a demanda por proteína animal em Mato Grosso. Na pecuária, com a qualificação de seis plantas de bovinos, produtores podem ficar motivados. 

“Poderá incentivar o aumento da pecuária, mas nesse primeiro momento não deve produzir mais por não ter mercado. Agora se tem elevação de demanda e melhor preço, pode ser que isso seja incentivador numa implementação da pecuária, mas tudo deve acontecer a médio e longo prazo”, acredita Paulo Bellincanta.

Hoje Mato Grosso tem a maior participação do rebanho bovino no Brasil, com 13% das cabeças de gado do país, o que corresponde a mais de 29 milhões de cabeças. O dado consta do estudo do Perfil da Pecuária do Brasil, divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) neste ano.

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