FAZENDO HISTÓRIA

‘Explosão de desenvolvimento' no Vale do Araguaia

Empresa anuncia investimento de R$ 10 bilhões para produzir celulose e gerar mais de 2 mil empregos diretos na região do Araguaia 

Priscilla Silva

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13/08/2019 05h06 | Atualizada em 12/08/2019 20h11

‘Explosão de desenvolvimento' no Vale do Araguaia

Reprodução/Euca Energy

Com investimento na casa de R$ 10 bilhões, a indústria de celulose prevista para ser instalada no município de Alto Araguaia (422 quilômetros de Cuiabá) fomentará a geração de emprego e produção de eucalipto na região. A licença prévia para instalação da Euca Energy foi entregue na sexta-feira (8) pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). 

Na avaliação do governador Mauro Mendes (DEM), o empreendimento é o maior em andamento no país. 

“Sem dúvida o maior empreendimento privado em curso hoje no Brasil, uma demonstração de que os investidores estão acreditando no estado de Mato Grosso. Em tempo recorde a secretaria conseguiu tramitar corretamente todo o processo de licenciamento para que eles possam prosseguir com as outras etapas para a implantação. Serão mais de dois mil empregos diretos e milhares de empregos indiretos gerados em toda a região”.

A indústria levará desenvolvimento para a região, que hoje conta com número significativo de área degradada para ser reflorestada. A chegada da fábrica de celulose potenciará a produção do eucalipto num raio de 150 quilômetros, uma vez que a quantidade atual não é suficiente para atender à demanda pela matéria prima. 

“Para a região, que não tinha desenvolvimento do etanol [indústria], a fábrica de celulose levará um grande desenvolvimento econômico, gerar emprego e elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). E trata-se de um local com muita área de pastagem degradada para ser reflorestada, que hoje possui cerca de 70 mil hectares de plantação de eucalipto. Um número insuficiente para atender a fábrica que precisará de 300 mil hectares”, explica o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta -MT) Glauber Silveira. 

O secretário-geral da Arefloresta -MT, Fausto Takizawa, comunga da expectativa de crescimento para o local.

“Será uma explosão de desenvolvimento econômico num raio de 150 km, que é a distância que viabiliza a compra do eucalipto pela indústria. Isso vai fomentar a geração de emprego, além de aumentar a demanda por engenharia e qualificações. É uma cadeia que indiretamente leva a outros efeitos positivos”. 

Além da necessidade de aumentar a área plantada na região, os produtores terão um ganho econômico. Atualmente a produção de eucalipto é basicamente destinada para atender a demanda por lenha no estado.

“A oportunidade da celulose cria uma expectativa no produtor. Ele terá maior rentabilidade no eucalipto, pois é melhor vender eucalipto para celulose do que vender para lenha. Porém, a produção será diferente. Para celulose é mais especializada e para isso vai precisar de conhecimento técnico, de profissionalização”, explica Takizawa.

INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL

A indústria de celulose também trará ganhos para o estado com o recolhimento de tributos e desenvolvimento da região. Durante a assinatura da entrega da licença prévia, o prefeito de Alto Araguaia, Gustavo Melo, falou desse retorno econômico.

“Estamos na porta de entrada do estado, inserido no vale do Araguaia, em um ponto privilegiado, temos ferrovia. Esse empreendimento vem de encontro com os interesses públicos e econômicos de nosso município e da região e para o estado de Mato Grosso, é uma nova matriz econômica que surge no estado. Um investimento deste tamanho abre os olhos de investidores para o nosso estado”.

A escolha pelo município de Alto Araguaia foi devido à sua capacidade de oferecer condições para a instalação da indústria de celulose: energia, água, logística ferroviária e rodoviária. 

“O estado de Mato Grosso é apropriado para uma indústria de celulose e o município de Alto Araguaia está a uma distância média de 80 km dos locais de plantio. É uma região mais alta, mais fria, onde o eucalipto se desenvolve mais e a produtividade é maior. Nessas condições, o ciclo de fornecimento do eucalipto, que é de sete anos, chega a ser reduzido para seis e com alto potencial de desenvolvimento da madeira”, descreveu o presidente da Euca Energy, Gilberto Goellner.

O empresário explica que a demanda e a produção de matéria-prima na região será sustentável, prevendo inclusive a criação de uma área de preservação.

“Hoje a necessidade é de comprar ou arrendar 300 mil hectares onde plantaremos 180 mil hectares, visando o aproveitamento médio de 60% desta área; 40% serão deixados para reserva. Nosso projeto abrange essa preocupação com a preservação. Com essa licença prévia, temos condições de nos apresentar ao mercado internacional e atrair empresas que tenham interesse no país, visto que o Brasil é o melhor local para produzir eucalipto, celulose”.

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