EXPORTAÇÃO

Carne de porco 'vira ouro' em negócio com a China

Há no estado pelo menos três unidades capazes de atender à fome do gigante asiático, mas aguardam ação do Ministério da Agricultura

Itamar Perenha

Jornalista

08/08/2019 07h44 | Atualizada em 08/08/2019 07h51

Carne de porco 'vira ouro' em negócio com a China

Reprodução

Maior consumidora de carne suína do mundo, a China foi obrigada a buscar proteínas animais substitutivas e se voltou para o Brasil, onde as granjas de qualidade em operação têm elasticidade na produção. Os importadores chineses constataram que o Brasil tem capacidade de responder com mais prontidão à demanda.

Diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues de Castro explica que os rebanhos de porcos da China estão bastante reduzidos devido ao surto de peste africana, que continua infectando os plantéis.

“Os produtores detectaram a oportunidade com as notícias sobre o problema sanitário daquele país asiático”, garante Custódio, “mas, só um frigorífico, da BRF [Brasil Foods], em Lucas do Rio Verde, está habilitado para exportação, com todas as escalas de abate preenchidas”.

Com a falta de credenciamento do Frigorífico Nutribrás, em Sorriso, e Excelência, em Nova Mutum, cerca de 80% de toda a carne suína é consumida no mercado interno. Com isso, o Estado perde uma janela de oportunidade e torna-se indispensável que o Ministério da Agricultura atue para autorizar mais plantas para exportação.

O controle sanitário é um dos principais entraves para a exportação de carne e derivados. Isso torna indispensável uma ação mais eficiente do Ministério da Agricultura para ampliar o número de plantas frigoríficas credenciadas para exportação, pois assim o próprio país sai beneficiado por exportar produtos com mais valor agregado.

Há, em Mato Grosso, pelo menos três unidades capazes de gerar fluxo de exportações, consumindo farelo de soja aqui mesmo no Estado e com uma boa consequência: o consumo de derivados de soja destinados à alimentação animal daria um bom incremento na arrecadação de impostos e contribuiria para superar o gargalo que afeta toda a sociedade.

PREÇOS CAEM NO MERCADO INTERNO

Para o diretor da Acrismat, o consumo interno garante a rotatividade do rebanho, embora já existam produtores receosos de que uma eventual redução da demanda interna possa reduzir os preços e levar produtores a abaterem matrizes para se ajustar à procura de carne suína.

“Este não é o melhor dos mundos, mas preservar-se na atividade com qualidade e possibilidades de rápido incremento na produção é uma demonstração do bom estágio em que se encontra a suinocultura mato-grossense”, declarou Custódio.

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