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Preço do álcool explode e assusta

Etanol registra alta em todos os estados e preocupa motoristas. Apesar do aumento, Mato Grosso tem o 3º combustível mais barato do país

Priscilla Silva

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22/01/2020 09h36 | Atualizada em 22/01/2020 09h36

Preço do álcool explode e assusta

Gilberto Leite | OEMT

O etanol de Mato Grosso é o terceiro mais barato do Brasil, apesar das altas recentes. A média de preços praticados ficou em R$ 3,118 no último levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estado, que sempre figura entre os que têm o combustível mais barato, corre o risco de cair no ranking. No início desta semana, consumidores ficaram assustados com a alta de quase 3% nos preços em Cuiabá. 

Quem precisou abastecer o carro com etanol na manhã de segunda-feira (20) foi surpreendido com a mudança nos preços do combustível em Cuiabá. Postos reajustaram os valores e, em alguns estabelecimentos, o litro de álcool já custava R$ 3,19. Os donos de postos atribuem parte desse aumento à mudança da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passou de 10,5% para 12,5% em janeiro deste ano.

Contudo, o preço do etanol já sofreu duas altas de preço neste início de ano. Além do ICMS, outros fatores influenciam a majoração dos preços e as distribuidoras também aumentaram os preços do produto.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo) emitiu nota para esclarecer essa nova onda de aumento. Conforme o texto, o preço do litro do etanol hidratado se mantém em alta no estado, por influência de reajustes nas usinas e distribuidoras. 

“No final de dezembro, o custo do etanol hidratado era de R$ 2,33, o litro. Já na segunda quinzena deste mês, o valor é de R$ 2,57. Estas informações são da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e demonstram que os preços sobem em todos os elos da cadeia de comercialização dos combustíveis”, detalha a nota do Sindipetróleo.

Dessa forma, os postos precisaram refazer as contas para tentar manter a margem de lucro. “O Sindipetróleo esclarece que o mercado é livre e é formado por diversos agentes, portanto, os postos definem seus preços utilizando como referência os custos operacionais e de aquisição de produtos nas distribuidoras. Não podem ser responsabilizados pelos reajustes", destaca Nelson Soares, diretor-executivo do Sindipetróleo.

Bolsonaro quer eliminar distribuidoras

Na tentativa de conter a alta nos preços de etanol em todo o país, o presidente Jair Bolsonaro tem defendido a venda direta de etanol entre os produtores e postos de combustível, eliminando a necessidade de distribuidoras. Para isso, tem articulado com o Congresso a derrubada de uma resolução da ANP que proíbe essa prática.

“Se Deus quiser, nós vamos romper essa barreira (da venda direta de combustíveis) e nossa previsão é de que, com isso, o preço caia pelo menos R$ 0,20 o litro do etanol, porque isso evita o que a gente chama de ‘passeio do álcool’”, disse Bolsonaro. A proposta, segundo ele, poderia valer para outros tipos de combustível, como o óleo diesel.

Procon estadual fiscaliza novo aumento do etanol 

O reajuste nos preços do etanol em Mato Grosso é acompanhado de perto pelo Procon estadual. Desde os primeiros alertas de aumento, na manhã de segunda-feira (20), os fiscais iniciaram uma ação de fiscalização nos postos de combustíveis. O objetivo da ação é verificar comportamentos que desrespeitem artigos do Código do Consumidor, como aumento injustificável de preços e aumento arbitrário dos lucros. 

“Desde que registramos a primeira informação de aumento, os fiscais voltaram às ruas. Estamos monitorando desde dezembro, que entre os dias 10 e 20, acompanhamos a variação de preços. Na primeira semana de janeiro voltamos para coletar mais dados e agora estamos fazendo uma nova análise. A ideia é observar em todo o período, as variações de preços para os consumidores e distribuidoras. Essa última etapa deve ser finalizada nesta terça-feira (21)”, explica Ivo Vinícius Firmo, coordenador de fiscalização controle e monitoramento de mercado do Procon-MT.

Até o momento, os fiscais têm observado uma queixa coletiva quanto ao aumento dos preços nas distribuidoras.  “Os donos dos postos falam que não entendem a razão do aumento. É preciso entender se o problema é com as distribuidoras ou com a produção. Ou seja, temos que entender essas variáveis. Precisamos priorizar a ação para justificar esse aumento e dar uma explicação para a sociedade”, pondera Ivo. 

De acordo com o Sindipetróleo, 16 distribuidoras atendem os postos de combustíveis em Mato Grosso. Eles também reforçam que os donos dos estabelecimentos não têm controle dos preços praticados pelas distribuidoras.

Etanol ou gasolina?

No último levantamento feito pela a ANP, o estado da Paraíba liderou o ranking de menor preço médio de etanol (R$ 3,071), seguido por São Paulo (R$ 3,073) e Mato Grosso (R$ 3,118). 

O cálculo básico para verificar se o álcool é o mais vantajoso em relação à gasolina é simples: basta dividir o preço do litro do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for inferior a 0,7, o etanol é o mais barato.  Em Mato Grosso, continua compensando abastecer com etanol: 3,19 / 4,77 = 0,6.

Dicas para poupar no posto

O consumidor que estiver disposto a economizar deve fazer uma pesquisa de mercado na hora de abastecer o veículo. Nem todos os postos de combustíveis repassaram os reajustes do etanol aos consumidores. Abastecer em postos com ‘bandeira branca’ é uma das opções mais em conta para este momento, já que eles podem comprar combustíveis de qualquer distribuidora e, desta forma, conseguem preços mais competitivos.

A vantagem do etanol sobre a gasolina ainda vale em Mato Grosso. Quem tem carro flex pode optar pelo etanol, mesmo com os preços variando entre R$ 2,87 e R$ 3,20. 

“Para a margem de lucro, que é de livre concorrência, tem condições de ter preços entre R$ 2,87 a R$ 3,20. Isso por conta dos preços das distribuidoras e da forma que estão vendendo”, explica Gisela Simona, presidente do Procon-MT.

As distribuidoras que atendem postos bandeira branca têm praticado preços entre R$ 2,70 e R$ 2,75. Já em distribuidoras de postos bandeirados – que podem comprar apenas das companhias nas quais possuem contrato – estão com preços entre R$ 2,80 e R$ 2,82. A pesquisa foi realizada pelo Sindipetróleo em alguns postos aleatoriamente, em Cuiabá e Várzea Grande.

“Diante desses aumentos, a dica para o consumidor economizar é a de tentar abastecer em postos com preços menores. É importante pesquisar, pois há situações em que postos diminuíram a margem de lucro para não repassar esse aumento para o consumidor. Essa alta nos preços está ocorrendo em outros estados também e há especulações de que o preço chegue até R$ 3,55 em Mato Grosso, o que é algo inédito para nós”, alerta Gisela.

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