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EDUCAÇÃO PÚBLICA

Universidade Federal de MT diz não ao Future-se

A decisão foi oficializada durante reunião dos três conselhos superiores da instituição

Mayara Campos

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08/11/2019 06h49 | Atualizada em 08/11/2019 18h52

Universidade Federal de MT diz não ao Future-se

Reprodução

A Universidade Federal de Mato Grosso não fará adesão ao programa Future-se. A decisão foi oficializada durante reunião dos três conselhos superiores da instituição (Consepe, Consuni e Conselho Diretor). De acordo com o relatório aprovado nesta quarta-feira (06), o projeto representa prejuízos para a educação superior pública.

“O estudo foi norteado com o foco da UFMT sobre o ensino, pesquisa e extensão, amplamente garantido constitucionalmente no artigo 207. O projeto Future-se contradiz princípios básicos da educação pública, levantando uma série de questionamentos que certamente inviabilizam o funcionamento da universidade. Um destaque importante que tivemos diz respeito às licenciaturas. Elas não são nem sequer citadas no Future-se. São cursos que têm um papel muito importante na sociedade, pois gera a educação, forma professores, enfim, o Future-se coloca toda a sociedade em risco”, destacou Leia de Souza Oliveira, técnica participante da comissão de estudo do Future-se.

A posição oficial da UFMT frente ao programa seguiu o posicionamento da Assembleia Geral Unificada, realizada no dia anterior à reunião (05). A assembleia ocorreu no Ginásio da Universidade, reunindo estudantes, professores e técnicos administrativos, inclusive com representações dos campus do interior (Sinop, Rondonópolis, Araguaia e Várzea Grande), além do de Cuiabá.

Segundo Fábio Ramirez, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos da UFMT (Sintuf), o Future-se é “um passo para a privatização da universidade pública. Ele propõe instalar uma empresa privada para administrar a universidade no mesmo modelo das OSS, ele muda a constituição brasileira no que diz que é tarefa do o poder público, da União, financiar a educação, a pesquisa e a extensão”.

Ramirez reforçou o ataque à autonomia universitária. “Essa organização social vai arrecadar dinheiro na iniciativa privada vendendo as pesquisas, que não mais serão desenvolvidas por uma necessidade social, mas sim pelos interesses privados, de uma empresa ou grupo. O conhecimento gerado na academia pública não pertencerá a sociedade, mas sim a empresa que pagar. Os prédios públicos poderão ser alugados, a OSS poderá cobrar mensalidade de alunos, mensalidade dos projetos de pós-graduação, e o resultado disso é óbvio, os mais pobres estarão fora da universidade”.

Nenhuma das universidades federais brasileiras se mostrou favorável ao programa. Atualmente temos 63 instituições, onde 29 já se declararam, oficialmente, contrárias ao Future-se. Outras 14 também manifestaram oposição, através de assembleias universitárias.

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