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Dor dupla: a história de Camila, que luta contra dois cânceres

Diagnóstica com dois tipos da doença, câncer de mama e no pâncreas, a administradora busca a cura para os tumores descobertos em 2018

Tarley Carvalho

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17/10/2019 10h10 | Atualizada em 17/10/2019 10h13 1 comentario

Dor dupla: a história de Camila, que luta contra dois cânceres

Reprodução

O ano de 2018 não foi gentil com a administradora Camila Capistrano Camargo, de 41 anos. Em janeiro daquele ano, ela foi diagnosticada com câncer de mama. Quatro meses depois, em maio, descobriu outro em seu pâncreas. Ainda hoje, Camila faz o tratamento para ser curada dos dois tumores.

Tudo começou com uma secreção no seio, mas que ela não deu muita bola, já que acreditou se tratar de algo relacionado a hormônios. Com o seio vazando por cerca de um mês, ela decidiu procurar um mastologista, médico especializado em mamas. Após o resultado dos exames, veio o diagnóstico.

“Foi o pior dia da minha vida, porque eu nunca tinha me sentido tão sem chão. Eu me senti a pior pessoa do mundo, parecia que tinha acontecido a coisa mais horrível da face da terra comigo. Que eu estava recebendo ali a minha sentença de morte. Até a forma com a qual o médico me falou e me tratou também foi muito dolorido foi muito traumático”, relatou.

Com o choque da notícia, Camila teve dificuldades para transmitir a mensagem à sua família e acabou passando a eles a mesma impressão que teve durante o diagnóstico. Ela acreditava que aquela era sua sentença de morte.

Segundo ela, a falta de informações prejudicou o enfrentamento naquele primeiro momento. Capistrano conta que seu médico não repassou informações detalhadas sobre o caso. E que as coisas só ficaram mais claras quando trocou de profissional.

“O início do tratamento foi mais tranquilo. Quando eu conheci meu oncologista [médico especializado no tratamento de câncer], que eu não estava mais tratando com o mastologista, eu fui muito feliz porque ele soube explicar direitinho. Fizemos exames, ele me mostrou o que eu tinha, como era, onde estava localizado, o que podia ser feito e como ia acontecer. Então, muita coisa que eu criava na minha cabeça morreu ali”, explicou.

Cabelos, a moldura de nossos rostos 

Sinônimo de nossa vaidade, o cabelo ajuda a emoldurar nossos rostos, nossa identidade e tem forte representatividade para o ser humano, principalmente para as mulheres.

Com o início da quimioterapia, um dos tratamentos de combate ao câncer, um dos primeiros efeitos é a perda de cabelo. Devido à agressividade da terapia, os cabelos começam há cair poucos dias depois da primeira sessão.

A situação também foi traumática para Camila. Ela conta que sempre teve muito cabelo e que, após iniciar o tratamento, passou a encontrar cabelo no travesseiro, pelo chão do quarto.

“O início do tratamento é sofrido, principalmente para nós mulheres, porque a gente vai perdendo toda a nossa vaidade. A gente perde o cabelo, nossa identidade, o cabelo é a moldura do nosso rosto e é uma das primeiras coisas que a gente perde na quimioterapia”, relembrou.

“Eu não digeri a notícia”

Digerir uma notícia ruim não é fácil para ninguém, principalmente quando se trata de uma doença devastadora que, de tão séria, pode levar à morte. Quando recebeu o diagnóstico de câncer, Camila Capistrano ficou devastada, situação que se potencializou devido à falta de informação.

À reportagem ela conta que não acreditava nos tratamentos psicológicos e psiquiátricos. Mas que seu posicionamento mudou quando ela se viu num quadro completamente abalado emocionalmente e reconheceu sua necessidade de pedir ajuda.

“Eu não digeri a notícia. Fiquei muito tempo entalada com isso, como se eu fosse, a qualquer momento, embora. Mesmo com o auxílio médico do meu oncologista, eu não procurei ajuda psicológica. Eu demorei muito pra entender que eu precisava [de ajuda], demorei muito para dar o braço a torcer”, revelou.

Hoje, ela desenvolveu depressão, transtorno bipolar, síndrome do pânico e crise de ansiedade.

A dor física tem remédio, a emocional não – “São dores tão diferentes. A dor física o remédio ajuda a curar, mas a dor emocional não. A dor emocional precisa de outras pessoas. A gente precisa da família, dos amigos, e como é difícil essas pessoas quererem estar perto da gente. Quem quer estar perto de gente doente? De quem só está com sentimentos ruins? Porque foi o que eu passei, a maioria dos meus amigos se afastou de mim quando eu tive o câncer. Eu fiquei meio sozinha. Agora, dessa segunda vez, eu não posso dizer a mesma coisa, eu tenho várias pessoas por mim e me sinto muito mais segura em relação à doença”, relembrou.

Camila explica que já aceitou o fato de ter a doença. Hoje ela tenta não pensar nisso o tempo todo e vive um dia de cada vez. Ela explica que o câncer destrói a pessoa de dentro pra fora. Ainda que o rosto estampe um sorriso, seu interior está devastado.

“Meu sonho é falar “eu venci!”

Em tratamento há mais de um ano, Camila Capistrano fala à nossa equipe seu maior sonho e o que pretende fazer quando concluir o tratamento e receber a notícia de que está curada. Atualmente, o sonho se baseia em se ver curada do câncer e dos problemas psicológicos, causados por toda a pressão emocional acumulada em si, ao qual ela denominou de “câncer da alma”.

Já depois que o tratamento for concluído, o desejo é viver a vida intensamente, vivenciando tudo aquilo que é permitido.

“[Quero] continuar vivendo um dia de cada vez, cuidando da minha família, das minhas filhas, da minha casa. Eu quero viajar, passear... Quero voltar a beber (risos) bebida alcoólica, tomar uma caipirinha, duas, três, sem preocupação. Enfim, tantas coisas que eu tenho vontade de fazer, são inúmeras. Mas a principal é viver. Viver sem me preocupar, esta é a minha maior vontade, é o meu sonho”, compartilhou.

Enquanto Camila trilha o caminho rumo à vitória contra a doença, ela leva uma vida normal, na medida do possível. Ela conta que não é fácil enfrentar tudo o que tem passado, mas que tenta ter uma rotina tranquila, com alimentação saudável.

À Camila e a todas as mulheres que enfrentam a doença, o jornal O Estado de Mato Grosso se solidariza e externa o desejo de melhora, recuperação e cura da doença.

 

 

1 COMENTÁRIO

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  1. Amiga de infância e pessoa linda por dentro e por fora essa é a Camila tem sido um exemplo de vida para mim e de superação estou maravilhada com a reportagem e maravilhada com tudo que ela (camila)é capaz de nos transmitir sua essência é excepcional amo essa pessoa do fundo do meu coração Um beijo e agraciada pela reportagem

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