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JORNAIS EM ESCOLAS

Seduc: tamanho do estado impede cobertura completa

A reportagem consultou a relação de unidades escolares no portal eletrônico da Seduc

Tarley Carvalho

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13/10/2019 15h25 | Atualizada em 13/10/2019 12h41

Seduc: tamanho do estado  impede cobertura completa

Reprodução - Internet

As dimensões de Mato Grosso impossibilitam o envio de jornais a todas às unidades de ensino público estadual. Escolas indígenas e em cidades a longa distância estão nesta lista de unidades que não recebem o exemplar diariamente.

De acordo com a assessoria de imprensa da Seduc, o preço dos recursos a serem aplicados para encaminhar as edições de jornal impresso a essas unidades, diariamente, torna a universalização do projeto inviável.

A reportagem consultou a relação de unidades escolares no portal eletrônico da Seduc. O número de unidades coincide com o informado pela pasta, de 768 unidades espalhadas pelo território mato-grossense.

À reportagem, a pasta explicou que destas, 495 unidades recebem o exemplar, entre elas, todas aquelas que estão situadas em Cuiabá e Várzea Grande. Estas somam 126 escolas. Os demais exemplares são distribuídos em unidades de outras cidades.

Apenas uma unidade

Nossa equipe conversou com os diretores de duas escolas estaduais de Cuiabá. De acordo com a professora Roseli Vicente, diretora da Escola Estadual Professor Benedito de Carvalho, no bairro CPA II, a unidade recebe diariamente as edições do jornal. Contudo, por receber apenas um exemplar por dia, eles acabam ficando em posse dos professores e funcionários, já que é insuficiente para levar pras salas de aula. Apesar da limitação, os professores levam assuntos das manchetes para a sala de aula, principalmente os de História e Geografia.

A mesma explicação foi dada pelo professor João Antunes, diretor da Escola Estadual Professora Eliane Digigov Santana, no bairro Bela Vista. Ele confirma que os jornais ainda estão sendo entregues à unidade, mas que acabam ficando para os professores e funcionários lerem, já que apenas um exemplar é destinado à escola.

Nenhum professor leva o exemplar para a sala de aula, o que dificulta o cumprimento dos objetivos descritos na lei. Além disso, ele ressalta que hoje em dia os estudantes se informam muito mais pelo jornal online que o impresso.

Fake News poderiam ser combatidas com projeto

 

A disseminação de notícias falsas não é algo novo. Muito pelo contrário, registros históricos mostram material eleitoral com divulgação de mentiras. O problema ganha outra dimensão nos tempos atuais devido à democratização do acesso à tecnologia, causado pela globalização. Hoje, uma Fake News – nome adotado para essa prática – se espalha em minutos e pode causar efeitos devastadores.

As Fake News, geralmente, possuem texto e tema apelante, que causa revolta na sociedade. Elas podem vir com pontos de exclamação para chamar a atenção do leitor, abreviações, erros ortográficos, muitos adjetivos e não citam a fonte. Por vezes, os criminosos também usam manchetes ou trechos de reportagens antigos para aplicar na atualidade, manipulando a verdade.

Para se ter uma ideia dos efeitos desta prática, em maio de 2014, Fabiane Maria de Jesus morreu após ser espancada por dezenas de moradores de Guarujá, cidade situada na Região Metropolitana da Baixada Santista. Fabiane tinha 33 anos quando se tornou vítima de uma Fake News, que a acusava de sequestrar crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. A mulher nunca teve chance de se defender, pois teve sua vida tirada de forma brutal.

Embora o acesso à informação tenha se democratizado, ele aconteceu de forma desorganizada. As pessoas não receberam “treinamento” para lidar com toda a enxurrada de informações geradas a partir dessa democratização.

A lei que estabeleceu a distribuição de jornais impressos a escolas da rede pública estadual poderia ser uma das ferramentas de combate às Fake News. Crianças e adolescentes seriam ensinados e reconhecer uma notícia produzida por veículos de comunicação sérios, comprometidos com a ética jornalística.

O combate às Fake News é um papel de todos. Aos jornalistas, profissionais capacitados para a apuração e confecção de notícias, e à sociedade que, em determinado momento, será a principal atingida por esse crime. Aos professores, fica o pedido de incentivar seus alunos ao consumo de jornais, sejam impressos, online, radiofônicos ou televisivos, contribuindo para sua formação e os ajudando a identificar o que é verdadeiro e o que é falso.

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