SAÚDE

Rastreamento é o melhor exame para diagnosticar câncer de mama

É recomendado que uma vez por ano mulheres com menos de 40 anos devem procurar o ginecologista para realizar o exame preventivo

Tarley Carvalho

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10/10/2019 09h48 | Atualizada em 10/10/2019 10h02

Rastreamento é o melhor exame para diagnosticar câncer de mama

Gilberto Leite

A mamografia é o melhor exame para se descobrir o câncer de mama, mas ele só é eficaz em mulheres a partir dos 40 anos de idade. Também é a partir dessa idade que a doença costuma se desenvolver, sendo menos comum sua ocorrência em mulheres mais jovens. De qualquer forma, a prevenção é importante e deve ser feita uma vez ao ano, conforme explica o médico oncologista, Cleberson Queiroz.

Apesar da importância de a mulher se tocar todos os meses para realização do autoexame de mama, o especialista ressalta que o mais importante é a realização da mamografia uma vez ao ano. Esse procedimento, segundo ele, é chamado de “rastreamento” e tem por objetivo identificar o câncer antes que ele seja perceptível ao toque das mãos.

“A diferença do rastreamento para o autoexame é que ele tem o objetivo de identificar lesões antes de elas serem perceptíveis pelo autoexame. O rastreamento, a partir dos 40 anos, é mais essencial que o autoexame, porque ele pode ver lesões que não são palpáveis e isso é o ideal.

O câncer de mama que é diagnosticado por exame de rastreamento antes de ser perceptível é aquele com chance de cura dos 100%”, explicou.

O exame não é recomendável a mulheres mais jovens porque, como o seio ainda é denso e firme, a eficácia da mamografia não será eficiente.

Aliás, ressalta o especialista, antes dos 40 anos não há nenhum exame que seja efetivo para rastreamento do câncer de mama. No entanto, prevenir é sempre o melhor caminho e o médico recomenda que a mulher realize exame anual com seu ginecologista.

“Antes dos 40 anos a gente recomenda o exame anual das mamas pelo ginecologista, que é um profissional treinado, e, se houver alguma alteração, ele vai sugerir algum exame, que pode ser a mamografia ou o ultrassom de mama”, explicou.

ALERTA

O especialista também afirma que o autoexame não tem sido mais motivado pelos médicos. A razão é que mulheres estavam deixando de fazer a mamografia por não identificar nenhuma alteração nas mamas, acreditando estar tudo bem. O resultado é a descoberta da doença num estado mais avançado.

O alerta, porém, também é tranquilizador. Não é porque o resultado do exame constatou alguma alteração que a paciente está, obrigatoriamente, com câncer. É preciso aguardar os exames complementares.

Cleberson também ressalta que ainda há um grande grupo de mulheres que não procura ou não tem acesso para fazer o exame. Como exemplo, ele cita municípios do interior, onde a saúde pública é mais precária, e regiões onde as pessoas têm pouco acesso à informação.

Doença pode surgir por multifatores 

Diversos tipos de câncer têm fatores de risco. Por exemplo, o câncer de pulmão tem como fator de risco o cigarro. O câncer do colo de útero tem o vírus HPV (Papiloma Vírus Humano, em tradução livre). No caso do câncer de mama, os fatores de risco são vários. É o que aponta o médico oncologista Cleberson Queiroz.

Ele cita que, no caso do câncer de mama, há os fatores evitáveis e os inevitáveis. No primeiro grupo está a obesidade, bem como o sedentarismo, que é a falta de prática de exercícios, e o consumo em excesso de bebida alcoólica.

Já o segundo grupo é composto pela genética da mulher, que já pode ser propensa ao desenvolvimento da doença, e ao número de filhos. Segundo Queiroz, a mulher que decide não ter nenhum ou poucos filhos está mais sujeita a desenvolver o câncer.

“Ter o primeiro filho muito tarde e menstruar muito cedo [também] aumentam o risco de câncer de mama porque, na verdade, todas essas coisas aumentam a exposição da mulher ao estrogênio [hormônio predominantemente presente no organismo feminino], que começa a ser produzido quando a mulher menstrua. Então, se ela menstrua muito por muito tempo de sua vida, ela tem muito tempo de vida com estrogênio”, explicou.

Outros questionamentos foram respondidos. Quando a mulher engravida, essa quantidade de estrogênio diminui em seu organismo, por isso que, se ela engravida cedo ou várias vezes, sua exposição ao hormônio diminui. Esse fator de risco é considerado inevitável porque o estrogênio, além de natural, é importantíssimo ao organismo da mulher.

Por fim, Queiroz ressalta que apenas os fatores evitáveis são controláveis, mas que isso não resume a ocorrência de câncer, alertando que mulheres com hábitos saudáveis também precisam sempre realizar exames para acompanhar sua saúde, afinal, até mesmo uma atleta pode se tornar vítima dessa doença.

Cada caso é único

Em nosso encontro, o médico Cleberson Queiroz também explicou que o tratamento de combate ao câncer de mama não se resume à quimioterapia e ressaltou que cada caso é único, o que significa que nem todas as pacientes receberão o mesmo tratamento.

Além da quimioterapia, também existem a radioterapia e a imunoterapia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a quimioterapia é um tratamento que usa medicamentos que destroem as células doentes responsáveis pela formação do tumor. Porém, esses medicamentos também destroem células saudáveis. O tratamento é conhecido por ser extremamente invasivo e desconfortável.

A radioterapia, por sua vez, “é um tratamento que utiliza radiações ionizantes (raio X, por exemplo) para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. Estas radiações não são vistas e durante a aplicação o paciente não sente nada. A radioterapia pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros tratamentos”, explica o portal do Inca.

Já a imunoterapia, explana Queiroz, diz respeito a um tratamento que reforça o sistema imunológico e faz com que o próprio organismo combata a doença. O procedimento já era utilizado em outros tipos de câncer, mas só recentemente passou a ser adotado no combate ao câncer de mama.

Queiroz também ressalta que esse tipo de tratamento ainda não está disponível a todos os tipos de público, já que é recente sua aplicação, mas que acredita que em três a quatro anos já estará mais popularizado e acessível a uma grande quantidade de pacientes.

Em todos os casos a cirurgia para retirada do câncer se faz necessária. Também é o oncologista quem explica isso à nossa equipe. No procedimento, o médico pode retirar um nódulo, um segmento da mama ou toda ela. Na maior parte dos casos a reconstrução do local se dá na própria cirurgia de retirada.

“O que [é importante destacar] é a individualização do tratamento. Não adianta a gente querer um pacote de tratamento que serve pra todo mundo. (...) hoje em dia, cada caso é avaliado: tipo, tamanho, extensão e subtipo do tumor. Em exames o tumor parece que é igual, mas [quando] vai ver do ponto de vista molecular, ele é totalmente diferente, então, os tratamentos são diferentes”, explicou.

CASOS EM HOMENS – A ocorrência do câncer de mama em homens acontece em 1 a cada 100 vítimas, ou seja, 1%. Embora pareça pouco, Queiroz ressalta que essa ocorrência não o transforma em um caso raro. A ocorrência de 1% ainda é considerada não raro.

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