GANHANDO A VIDA

Confira a rotina de vendedores que sofrem com clima desértico

Com a cidade em estado de alerta, trabalhadores tiram proveito para vender água enquanto enfrentam o clima; saiba como se cuidar

Valquiria Castil

Acesse o Blog

18/09/2019 09h15 | Atualizada em 18/09/2019 11h09

Confira a rotina de vendedores que sofrem com clima desértico

Gilberto Leite

O clima em Cuiabá ainda se encontra em estado de alerta devido à baixa umidade do ar que varia entre 12% e 20%, enquanto o nível considerado ideal deve variar entre 50% e 80%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A população tem sentido bastante os efeitos das altas temperaturas e a sequidão do tempo e tenta se virar como pode para driblar o calorão.

Mas ainda há outra parcela de trabalhadores que precisam enfrentar o clima de deserto para conseguir o pão de cada dia. Com seu carrinho na Praça Ipiranga, o ambulante Clóvis Lemos, 65 anos, trabalha nas ruas de Cuiabá vendendo água, suco e refrigerante há cerca de 15 anos. A venda dos líquidos refrescantes é o sustento do idoso, que deu entrada em sua aposentadoria no início do ano, ainda sem resultado.

Clóvis admite que as altas temperaturas ajudam nas vendas, mas que com a competitividade de outros ambulantes o trabalho fica mais acirrado. “No começo, dava 15h e eu já ia embora. Agora, fico até mais tarde um pouco, mas vendo tudo na maioria dos dias”, detalha. Sobre o tempo, o vendedor lembra que já houve tempos mais secos “há 5 ou 6 anos” por falta de chuva, só que “agora o calor tá bem mais e cansa muito a gente”.

Outro trabalhador que enfrenta o dia pelas ruas é Matias Gonçalves, 42 anos. Ele é proprietário de uma banca de chaves, que faz cópia, abertura e manutenção de fechaduras, instalada também em torno da Praça Ipiranga. Por fazer atendimento em domicílio, o empresário pega muito sol em sua motocicleta e faz de tudo para amenizar os efeitos do clima. “Tomo muito líquido. Se estou na casa do cliente, peço água, faço uma alimentação mais leve e uso protetor solar”, afirmou.

A esposa, Marileuza Ferreira, também fica na banca feita de chapa metálica há 16 anos e reveza o horário com o marido e outro funcionário, justamente devido à alta temperatura. “Esse é o pior clima que já passamos por aqui, está muito abafado. Eu ainda uso um ar-condicionado portátil, mas às vezes nem ele aguenta o calor”, lamenta.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, a temperatura em Mato Grosso permanece 5° C acima da média, aumentando os riscos tanto de queimadas quanto à saúde. A orientação é para ingerir bastante líquido, evitar atividades físicas e exposição ao sol, usar hidratantes e protetor solar, além de umidificar o ambiente.

Comente, sua opinião é Importante!