CUNHO POLÍTICO

Eleições do Sintep influenciaram a greve dos professores

A deputada também criticou a comunicação feita pelo governo e revelou que muitos profissionais, mesmo aqueles não apoiadores do movimento, saíram magoados

Felipe Leonel

Jornalista

13/08/2019 17h14 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Eleições do Sintep influenciaram a greve dos professores

Gilberto Leite

A deputada estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa, Janaina Riva (MDB), revelou que a greve dos professores foi influenciada pelas eleições internas do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). A paralisação começou no dia 27 de maio e só acabou de fato nesta terça-feira (13), 78 dias após a deflagração do movimento. 

“Alguns diziam que tinha uma questão interna também do Sintep-MT, pois está próximo às eleições da presidência do Sintep. Isso tudo acabou sendo usado durante as discussões”, afirmou a parlamentar, em entrevista à Rádio Vila Real FM, na manhã desta terça (13). 

Ainda na avaliação da deputada, ninguém saiu ganhando com o movimento e o governo do Estado sofreu um desgaste político ‘irrecuperável’ com a classe dos professores, em função de vários atritos ao longo do movimento paredista, considerado o mais longo da história de Mato Grosso. A deputada ainda criticou o acirramento dos ânimos entre ‘bolsonaristas’ e ‘petistas’. 

Segundo Janaina, o movimento já começou rachado dentro do próprio Sintep. "Tinha mais coisa envolvida e isso eu ouvi dos próprios profissionais da educação. Do mesmo jeito que alguns agridem falando: ‘esses aí são todos bolsonaristas, votaram no Mauro têm que passar por isso' os outros falavam:  'isso aí é um bando de petistas'”, criticou a parlamentar. 

Por outro lado, avalia Janaina, o governo conseguiu ‘resolver’ o problema pelos próximos quatro anos, pois já foi definida que a Revisão Geral Anual (RGA) e a Lei da Dobra serão concedidas apenas se Mato Grosso se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece limite máximo de gastos com funcionalismo em 49% da Receita Corrente Líquida (RCL). 

A deputada também criticou a comunicação feita pelo governo e revelou que muitos profissionais, mesmo aqueles não apoiadores do movimento, saíram magoados. Um dos pontos falhos apontado pela deputada é a crítica em relação ao salário dos professores e à avaliação baixa do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

“Isso foi um erro, até porque não tem como comparar [o índice] com outros estados, levando-se em conta a nossa estrutura escolar. As escolas em Mato Grosso têm estrutura horrível, estão caindo aos pedaços em sua grande maioria. Na minha avaliação, eu acho que os dois [governo e professores] perderam”, concluiu a deputada.

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