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SAÚDE EM RISCO

Cuiabá é a capital mais obesa, aponta levantamento

Levantamento aponta que 23% dos cuiabanos estão muito acima do peso, superando a média nacional; homens são os mais afetados

Tarley Carvalho

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13/08/2019 10h07 | Atualizada em 13/08/2019 10h16

Cuiabá é a capital mais obesa, aponta levantamento

Gilberto Leite

Cuiabá é a capital com mais adultos obesos do país. É o que aponta o levantamento da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde no último mês. A capital mato-grossense lidera o ranking junto com a capital amazonense, Manaus. Ambas registraram ocorrência de 23% de obesidade.
De forma geral, o país registrou uma frequência de obesidade de 19,8%, o que demonstra que Cuiabá está bem acima da média nacional.

O levantamento também apresenta os números por gênero, idade e formação escolar. No comparativo por sexo, os homens cuiabanos registraram 27,1% dos casos, se classificando como a segunda capital do país com mais homens obesos. Já entre o grupo das mulheres, o número é reduzido significativamente, registrando 20,7% de ocorrência.

Fazendo um comparativo de gênero com o levantamento nacional, Cuiabá registra um dado interessante: a ocorrência entre um e outro é o mesmo, 20,7%. Contudo, enquanto as mulheres cuiabanas são menos obesas, em nível nacional é o contrário.

Já no comparativo com o público masculino, a diferença é gritante: apenas 18,7% dos homens registram obesidade no acumulado, enquanto Cuiabá registra 27,1%.

FAIXA ETÁRIA

O levantamento também apresenta os números por faixa etária, porém, somente em nível nacional, sem apontar os grupos de cada cidade pesquisada.

A menor ocorrência registrada está no grupo que compreende adultos de 18 a 24 anos, com 7,4% de ocorrência geral, sendo 6,8% no grupo masculino e 8,1% no feminino.

Já o grupo que registrou maior número de obesos é o composto por pessoas entre 55 e 64 anos de idade. Neste caso, a obesidade foi registrada em 24,6% das entrevistas, sendo 20,4% dos homens e 27,7% das mulheres.

A PESQUISA

O levantamento Vigitel tem por objetivo conhecer a saúde da população, cujos resultados servirão para que o Ministério da Saúde planeje ações e programas que combatam as doenças crônicas e reduzam sua gravidade. A pesquisa é feita anualmente em todas as 26 capitais brasileiras e Distrito Federal, desde 2006. 

Para se chegar aos números de obesidade, a Vigitel questionou aos entrevistados informações sobre seu peso e sua altura. Em posse desses dados, o peso em quilos foi dividido pelo quadrado da altura em metros, chegando-se ao Índice de Massa Corporal (IMC). Para classificar uma pessoa como obesa, o levantamento considerou aqueles cujo IMC registrou igual ou mais que 30 quilos por metro quadrado.

A pesquisa tem confiança de 95% e erro máximo de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A SOFRIDA LUTA CONTRA A BALANÇA 

A busca pela perda de peso está constantemente presente em nossa sociedade. Homens e mulheres tentam, constantemente, perder alguns quilos, recuperar a autoestima e a saúde física. O excesso de peso vai além da vaidade, muito além. Trata-se de um problema que se reflete na saúde física e mental da pessoa.

A reportagem conversou com duas mulheres que vivem essa batalha e que trouxeram relatos emocionantes para mostrar que a sociedade ainda precisa aprender a respeitar estas pessoas e que as brincadeiras de mau gosto podem atingir profundamente os alvos das piadas. 

Thaís Almeida, nome fictício, tem 31 anos e é dona de casa. Ela tem 1,58m e pesa 107 kg. No ano passado, durante uma consulta médica para averiguar fortes dores estomacais, foi diagnosticada com obesidade mórbida. 

A segunda entrevistada é Stefani Pimentel, nome real, de 31 anos. Como Thaís, ela luta contra o excesso de peso. Tudo começou há dois anos, quando seu pai foi diagnosticado com câncer. Única filha a morar com os pais e sendo mãe de uma menina, ela se viu sobrecarregada de responsabilidades emocionais e acabou descontando o sofrimento na comida.

Quando foi diagnosticada com obesidade, Thaís foi orientada a fazer uma cirurgia bariátrica, mas o medo do procedimento a fez recusar num primeiro momento. Em poucos meses, ela acabou engordando 20 kg, saltando dos 87 kg para os atuais 107 kg.

Stefani, por sua vez, acabou desenvolvendo bulimia, que é um transtorno alimentar grave, sempre de forma compulsiva, acompanhado de métodos cujo objetivo é evitar o ganho de peso. Ela passou a vomitar logo após comer.

Em ambos os casos, o julgamento da sociedade e principalmente os comentários de amigos e familiares causam grande dor.

“Eu já como com peso de consciência, porque no final eu sei que eu mesma estou me maltratando. É muito ruim você estar fora do peso e as pessoas te apontarem ou então dizer assim: ‘Pare de comer, você vai explodir!’. Me dá uma angústia isso. E o que eu faço? Como!”, desabafou Stefani. 

“O meu marido me apoia muito, sempre diz que eu estou bem, seja gorda ou magra, mas minha família não está nem aí. Meu irmão, que é mais gordo que eu, me chama de ‘rolha de poço’. Eu nunca me importei com estas coisas. Elas podem até me afetar indiretamente, no meu psicológico, mas nada que eu perceba”, desabafou Thaís, que momentos antes havia garantido não ser afetada pelas críticas, mas que, ao contar esse trecho, precisou conter as lágrimas.

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Apesar das lágrimas, Stefani e Thaís ainda veem uma luz ao fim do túnel. Thaís, que chora em frente ao espelho ao não reconhecer a imagem que se reflete, fará a cirurgia bariátrica em breve e já se programa para a “nova velha vida”.

“Eu estou bem ansiosa com a cirurgia. A primeira coisa que quero fazer depois da cirurgia é comprar roupas. Vou até pra São Paulo fazer isso, comprar muitas roupas. Também vou usar salto. Hoje em dia eu não posso, não consigo por causa do peso e as dores nos pés não deixam”, disse.

Stefani, por sua vez, não pretende passar por procedimento cirúrgico. Ela avalia que sua mente não trabalha dessa forma, mas por meio de autocontrole. A jovem se deu conta de que precisa de ajuda para enfrentar os problemas que se instalaram em seu cotidiano e ter sua vida de volta.

“Eu acabei desabafando, mas acho que, dependendo da forma que forem publicadas, essas informações vão mostrar a várias leitoras que é normal passar por isso, é um processo. E que precisamos ter autocontrole para buscar novas motivações e novos propósitos”, ensinou, com a afirmação de que irá procurar ajuda profissional.

A obesidade é um problema de saúde pública que pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas. Para quem busca ajuda, o Sistema Único de Saúde (SUS), ainda que com seus problemas estruturais, dispõe de equipes especializadas para ajudar pessoas na saúde preventiva, entre eles, o sobrepeso e a obesidade.

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