CORONAVÍRUS

Pesquisa financiada pelo MP sobre Covid-19 causa pânico e 19 são presos

Conforme o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, o estado só foi notificado sobre a pesquisa no dia 14 de maio, quando os pesquisadores já estavam visitando casas.

21/05/2020 17h19 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Pesquisa financiada pelo MP sobre Covid-19 causa pânico e 19 são presos

Reprodução

Uma pesquisa financiada pelo governo federal sobre a Covid-19 resultou na detenção de 19 pessoas em Mato Grosso.

Conforme o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, o estado só foi notificado sobre a pesquisa no dia 14 de maio, quando os pesquisadores já estavam visitando casas em cidades de Mato Grosso, com questionários e testes rápidos de coronavírus, o que causou pânico na população.

De acordo com a Polícia Civil, Em Cuiabá, um homem e uma mulher foram conduzidos à delegacia nesta quinta-feira (21) após a polícia ter sido acionada por uma moradora do Bairro CPA 1. No local, os policiais militares encontraram o casal que confirmou estar fazendo os testes, apresentando um ofício da Universidade de Pelotas e o crachá do Ibope Inteligencia, bem como o material vinculado.

Em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, 15 pessoas foram conduzidas pela Polícia Militar à delegacia da cidade. O grupo assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por exercício de profissão ou atividade econômica, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o exercício e também por infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa.

Em Rondonópolis, a 218 km da capital, dois profissionais que estavam atuando na pesquisa foram conduzidos à delegacia, tiveram o material recolhido e após serem ouvidos, foram liberados.

Conforme o Ministério da Saúde, o estudo "Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional" é coordenada pelo Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, sendo a execução do trabalho de campo a cargo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

O Ministério da Saúde apoia e financia a pesquisa, que objetiva medir a evolução da prevalência de Covid-19 na população brasileira, e enviou 150 mil testes.

O Ministério da Saúde também afirma que as Secretarias Estaduais de Saúde receberam ofício do sobre a realização da pesquisa, mas não deixa claro quando foram notificadas.

A notificação também teria sido enviada aos Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúdes (Conasems).

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, as próximas etapas acontecem nos dias 28 e 29 de maio, e 11 e 12 de junho.

Durante a visita dos entrevistadores do Ibope, é aplicado um questionário sobre a existência de doenças preexistentes e possíveis sintomas de Covid-19 nos últimos 30 dias, além da realização de um teste sanguíneo rápido que utiliza metodologia por punção digital.

Serão realizados 250 testes em 133 municípios, totalizando 33.250 testes em cada uma das três etapas do estudo. Nos domicílios em que alguém testar positivo, pretende-se testar todos os moradores. Além disso, as equipes que estão indo a campo já foram testadas.

O teste utilizado é o rápido. O entrevistador chega à casa, pergunta se há interesse e disponibilidade em participar. Para tirar dúvidas o cidadão pode ligar para 0800 800 5000 ou enviar um e-mail para pesquisa.covid-19@ibopeinteligencia.com

Durante a pesquisa, as pessoas são entrevistadas e testadas em casa, por meio de sorteio aleatório. Se o resultado do teste der positivo, os profissionais entregam informativo com orientações e repassam o contato do participante para a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que ficará responsável por informar as secretarias de saúde locais para acompanhamento e suporte dos casos pelos serviços saúde.

Os dados coletados servirão de base para estimar o percentual de brasileiros infectados, avaliar os sintomas mais comumente relatados, estimar recursos hospitalares necessários ao enfrentamento da pandemia e permitir o desenho de estratégias para abrandar as medidas de isolamento social.

FONTE: G1

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