COMBATE AO CORONAVÍRUS

Mendes diz que pressão da mídia levou vários prefeitos a tomar decisões precipitadas

Governador de Mato Grosso defende medidas mais equilibradas de restrições ao comércio para salvar vidas e ao mesmo tempo a economia

Márcio Camilo

Jornalista

01/04/2020 18h00 | Atualizada em 02/04/2020 09h08

Mendes diz que pressão da mídia levou vários prefeitos a tomar decisões  precipitadas

Arte Jornal O Estado de MT

O governador Mauro Mendes (DEM) disse que a grande quantidade de informações e a pressão da mídia resultou em medidas precipitadas por parte de muitos prefeitos de Mato Grosso de contenção e combate a pandemia mundial do coronavírus. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Josias de Sousa, na tarde desta quarta-feira (01), durante a série do Portal UOL no YouTube que debate a crise do coronavírus e seus reflexos.

De acordo com Mendes, muitos prefeitos impactos com as mortes que ocorreram na Itália decretaram praticamente um knockdown nas cidades do interior do estado, que sequer tinham um caso suspeito ou confirmado da doença. Knockdown é um termo utilizado no boxe quando um dos lutadores derruba seu oponente na lona. No contexto do coronavírus é quando as medidas de isolamento e distanciamento social provocam uma grande derrubada nos setores econômicos.

“Então essa racionalidade perdeu um pouco aí diante do bombardeio das informações chegando do mundo inteiro... Prefeito via aquelas imagens lá da Itália, onde caminhões estavam recolhendo corpos, morrendo 800 pessoas por dia, todo mundo achou que a solução era parar tudo”.

Mendes, que no início adotou medidas mais radicais de restrições ao comércio, entende que agora é necessário achar um ponto de equilíbrio para também preservar a atividade econômica, que no final das contas também significa salvar as vidas das pessoas.

“Vamos salvar sim milhares de vidas, mas nós não podemos desconsiderar o grandiosíssimo dano que irá causar [isolamento social], não na economia, mas a vidas das pessoas. Serão milhares e milhões de desempregados. Terão empresas quebradas que talvez não consigam mais se recuperar se nós ficarmos aí quatro, cinco meses fechados como alguns estão defendendo”.

Para ele, as mitigações precisam ser implantadas levando em conta a realidade de cada estado. “Porque eu não posso aqui em Mato Grosso, que é um estado que tem 904 mil quilômetros quadrados, com a densidade de pouco mais de três habitantes por metro quadrado, dar o mesmo tratamento no início da crise que São Paulo deu”, ilustrou.

Mendes explicou que recetemente o governo do estado publicou um novo decreto para regulamentar melhor as medidas de restrições comerciais que as prefeituras devem tomar.

“Nós acabamos de publicar um decreto onde nós estabelecemos, segundo a portaria do próprio Ministério da Saúde, não inventamos nada aqui, o conceito de que existindo contaminação local, você toma essas e essas providências. Existindo contaminação comunitária você vai para outro nível de providências”.

Contaminação local são casos de pessoas que se infectaram com o vírus depois de ter contato com um paciente que trouxe o vírus de fora do país. Já os casos comunitários é a transmissão de forma mais generalizada da doença – de pessoas que não estiveram em outros países com registro do vírus, mas que foram contaminadas e transmitem a doença para outros que também não viajaram.

Ressaltou que o secretário estadual de saúde é o responsável por monitorar qual tipo de contaminação que cada cidade tem e, a partir disso, orientar os secretários municipais sobre as medidas cabíveis, para se ter “um pouco mais de racionalidade a essas tomadas de decisões”.

O governador destacou ainda que o momento é de tomar decisões técnicas, sensatas e equilibradas para fugir do que ele chamou de “campeonato nacional de vários gestores tomando decisões pela pressão da mídia”.

 Concluiu a entrevista dizendo que esse exagero nas medidas de isolamento foi por casa da precipitação e também por falta de uma coordenação nacional do Governo Federal que não estipulou regras e graduações de medidas de contingenciamento levando em conta as realidades regionais.

Além de Mendes, participaram do debate do UOL os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; e Renato Casa Grande, do Espírito Santo.               

FONTE: Da Redação o Estado de MT

Comente, sua opinião é Importante!