SANI NEVES

Bullying - qual é a graça?

01/02/2020 06h00 | Atualizada em 08/02/2020 23h08

Bullying - qual é a graça?

Arquivo Pessoal

O bullying é a prática intencional e repetitiva de atos violentos contra uma pessoa indefesa, que pode ocasionar danos físicos e, principalmente, psicológicos. O termo surgiu da palavra inglesa bully, que significa: tirano, valentão ou brigão. A Lei nº 13.185, em vigor desde 2016, classifica o bullying como intimidação sistemática, quando há violência física ou psicológica em atos de humilhação ou discriminação. A classificação também inclui ataques físicos, insultos, ameaças, comentários e apelidos pejorativos, entre outros.

Normalmente, é praticado por uma ou mais pessoas tendo como principal objetivo a intimidação do outro através da humilhação e/ou agressão física. Comumente, a população em geral refere-se ao bullying apenas quando a violência ocorre no âmbito escolar, no entanto, ele poderá ocorrer em qualquer grupo social, desde igrejas, clubes, locais públicos como ruas e shopping centers e até mesmo no ambiente de trabalho e dentro da própria família!

Perceber a diferença entre uma brincadeira e um bullying pode ser confuso para inúmeras pessoas, mas pode ser simples se você ficar atenta(o) a sua frequência e intensidade, e principalmente se te feriu, ofendeu e/ou envergonhou, pois quando esses sentimentos estão presentes já deixou de ser brincadeira!  E então é necessário se autocuidar, primeiro conversando sobre o quanto a situação está te gerando desconforto e depois colocando limites, que se não respeitados exigirão atitudes mais radicais, que podem inclusive incluir o rompimento de relações.

As vítimas do bullying geralmente são elegidas devido algumas características de sua personalidade, tais como timidez, fragilidade física e emocional, e por isso as crianças e adolescentes acabam sofrendo muito com as suas consequências, pois com a personalidade ainda em construção, poderão sofrer danos que levarão para toda a vida. Com a volta às aulas, é natural que as crianças que já sofreram bullying temam o retorno à escola, pois já sabem que o tormento poderá continuar... Portanto os pais devem estar atentos a esse comportamento que sinaliza que algo não vai bem. Também é importante estar atento aos seguintes aspectos: distúrbios do sono, problemas estomacais, transtornos alimentares, irritabilidade, depressão, transtornos de ansiedade, queixa relacionada a dor de cabeça, falta de apetite, pensamentos incluindo desejo de morrer, entre outros.

Finalizando, com o retorno ás aulas, pais, cuidadores e professores devem estar preparados para acolher as queixas relacionadas ao bullying, evitando críticas e ironias, que somente aumentarão o sofrimento e a sensação de impotência e abandono que a criança ou adolescente está passando. Validar essas emoções, como raiva, tristeza e dor diante dos episódios é dar oportunidade para que eles confiem na família e consigam lidar com a situação com mais segurança. Também é imprescindível, que ao menor sinal de bullying, os adultos ajam a fim de rompê-lo, pois quando todos em volta estão rindo há uma vítima chorando e sofrendo, e isso não tem graça! 

PSICÓLOGA SANI NEVES. CRP 18/01332. Psicologia Clínica. Esp. Gestão em Saúde UAB/UFMT. Sexologia Clínica.  Constelação Familiar Sistêmica. Terapia EMDR. 65 999821308. Instagram: sanineves.psicologa
 

FONTE: Sani Neves

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