VIVALDO LOPES

Novo ciclo econômico

24/01/2020 06h00 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Novo ciclo econômico

Arquivo Pessoal

Já afirmei antes neste espaço que vislumbro em Mato Grosso os primeiros sinais de um novo ciclo de crescimento econômico mais protagonizado pela iniciativa privada e menos pela administração pública. Esse novo ciclo apresenta-se menos dependente de investimentos públicos estaduais e federais e mais do capital privado. A instabilidade da governança pública e a escassez de recursos públicos para investimentos limitam cada vez mais a capacidade das administrações estaduais e federal de investir na construção da infraestrutura econômica que a dinâmica do crescimento está a exigir.

O cenário nacional ajuda Mato Grosso nesse novo salto qualitativo do seu desenvolvimento. A agenda econômica do país, neste momento liderada pelo Congresso Nacional e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, aponta avanços na aprovação da reforma tributária, abertura da economia nacional à competição internacional, novo marco regulatório para o saneamento básico e modernização da cadeia produtiva de petróleo e gás. Todos esses setores possuem grande capacidade de atração de capitais estrangeiros, devido ao atrasado estágio em que se encontram atualmente.

No Brasil, apenas 5% das operações de saneamento são executadas pela iniciativa privada. O restante 95% dos sistemas de saneamento básico são operados por estados e municípios que se encontram à beira da falência e não possuem capacidade de investimentos. Vem daí boa parte da explicação da situação calamitosa em que se encontram, apresentando índices de fornecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto idênticos aos que alguns países tinham há 50 anos. O novo marco legal para o setor deve facilitar municípios e estados interessados em licitar as concessões para grupos privados com expertise na operação e com capacidade de captação de financiamentos no mercado de capitais para a modernização desse serviço tão essencial para a qualidade de vida das populações mais carentes.

Em entrevista recente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, apontou que toda a estratégia do ministério é focada na privatização da concessão de rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, portos marítimos e fluviais como alternativa para modernizar e expandir a infraestrutura logística e melhorar a produtividade do país. Disse que no decorrer de 2020 vai lançar os leilões para conceder à iniciativa privada a concessão para duplicação e operação da Rodovia 163, no trecho de Sinop (MT) a Miritituba (PA), dando acesso rodoviário ao porto fluvial de Santarém. Para garantir também o acesso ferroviário ao mesmo porto de Santarém, informou o ministro que está em fase final o edital de licitação da concessão à iniciativa privada da ferrovia Ferrogrão, que ligará Sinop a Miritituba.

Afirmou que brevemente vai assinar contrato com a empresa Rumo Logística, que teve a concessão da Malha Ferroviária Paulista renovada, para expansão da Ferrovia Vicente Vuolo de Rondonópolis até Cuiabá e posteriormente até Sorriso. O ministro informou que a administração federal está prestes a acertar a renovação da concessão da ferrovia Vitória (ES) até Minas Gerais, operada pela Vale. Em contrapartida, a empresa investirá R$ 7 bilhões para construir o trecho da ferrovia ligando a cidade de Campinorte (GO) a Água Boa (MT), cuja operação será concedida a um grupo privado especializado, por meio de leilão público. O aeroporto de Várzea Grande/Cuiabá e outros quatro de cidades do interior já operam sob gestão privada.

A administração estadual já colocou em prática um vasto programa de concessões de rodovias estaduais, contemplando os principais eixos produtivos do estado.

Um grande choque de investimentos e a constatação de que o Estado sozinho não conseguiu e não conseguirá suprir toda a infraestrutura para um país que precisa crescer 5% ao ano. Todas as decisões indicam uma saudável aliança entre Estado e capital privado para promover os investimentos na infraestrutura econômica de Mato Grosso e do país. Vamos acompanhar e monitorar para que essa parceria venha a se transformar em insumo importante para o desenvolvimento econômico.

VIVALDO LOPES é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. E-mail: vivaldo@uol.com.br

FONTE: Vivaldo Lopes

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