ECONOMIA AQUECIDA

Cidades do agronegócio geram mais empregos

Mato Grosso tem saldo positivo de 1.728 novas vagas de trabalho em outubro; comércio, serviços e agronegócio são os que mais contribuem

Priscilla Silva

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27/11/2019 06h00 | Atualizada em 02/12/2019 13h18

Cidades do agronegócio geram mais empregos

CNA

O mês de outubro registrou um saldo positivo de empregos com carteira assinada. Foram mais de 70,8 mil postos formais criados em todo o país, dos quais 1.728 em Mato Grosso, conforme dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. Os setores do comércio, serviço e agronegócio são os que mais contribuem na geração de empregos no estado.

“Está havendo um aumento da contratação porque a economia está reagindo. Começamos um processo de retomada, não no ritmo esperado, mas isso gera empregos formais”, aponta Luceni Grassi, mestre em economia e especialista em gestão.

O resultado positivo, que ocorre pelo sétimo mês consecutivo, é influenciado pela retomada da economia. A expectativa é que os meses de novembro e dezembro mantenham o bom desempenho nos resultados. Culturalmente, o período registra aumento no número de vagas, motivado pelo aquecimento do consumo no fim de ano. 

“Sempre em novembro é natural que esse desempenho cresça. São efeitos positivos, pois as empresas começam a pagar o 13º e dinheiro circulando gera mais consumo, consequentemente, mais contratação. A tendência nos próximos meses é empregar mais com o comércio e os serviços, pois estamos na alta temporada de férias e vamos ter mais rendimento”, explica Luceni.

Os setores de comércio e serviços são os que mais contribuem para o saldo positivo de empregos formais. Somente o setor do comércio foi responsável pela criação de 43.972 empregos celetistas.  Já o setor de serviços teve 19.123 postos.

Em Mato Grosso, além dos dois setores, a agropecuária está entre os que mais geram renda e oportunidades. Para se ter uma ideia, a categoria registrou o maior acréscimo na renda entre os três setores em 2018, com salário médio de R$ 2.434,30/mês, o maior do país para o setor. O dado consta da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), da Secretaria de Trabalho.

“Mato Grosso é um dos [estados] que mais tem oportunidades na agropecuária. O que está acontecendo, principalmente nos últimos três anos, é um impacto. O estado é muito dependente do mercado internacional e, quando ele está aquecido, isso impacta aqui”, indica a economista. 

Habilitação de frigoríficos aquece mercado de trabalho

A habilitação de nove plantas frigoríficas para exportar para a China deve ampliar a oferta de vagas ligadas ao setor agropecuário. A demanda por proteína no país asiático está alta devido à peste suína. Para dar conta do novo mercado, as novas unidades devem reforçar o quadro de funcionários. A expectativa do sindicato do setor é de contratar uma média de 160 novas vagas por planta.

“China, Rússia e outros países estão aquecendo o mercado de carne. Quando isso acontece, impacta diretamente a atividade no estado de Mato Grosso. É um efeito cascata. A agricultura movimenta o comércio, as pessoas compram mais, gera-se mais emprego e renda”, aponta Luceni Grassi, mestre em economia e especialista em gestão.

“O setor de serviços é estimulado pelo agronegócio, pois ele precisa ser especializado, como o transporte, por exemplo. Dessa forma, vemos crescimento de empregos em cidades-polo, como Sinop, Sorriso e Rondonópolis”, completa. 

Em outubro deste ano, o município de Sinop liderou o ranking de contratações com carteira assinada (457). O segundo colocado foi Sorriso (268), seguido por Rondonópolis (218). Ao todo, Mato Grosso teve um saldo positivo de 1.728 novas vagas de trabalho em outubro.

Aumento nas exportações muda cardápio das famílias

O preço da carne bovina nas gôndolas de supermercados está assustando os consumidores. Além dos reajustes no preço da arroba, os consumidores brasileiros ainda competem com os chineses, que aumentaram as importações da proteína. As perspectivas são de que não haja redução nos preços até o início de 2020.

“Os preços já aumentaram duas vezes só neste mês. O coxão mole, que estava em R$ 19, hoje está em R$ 23; a costela, que antes encontrava por R$ 9,90, agora acho por R$ 14. Para nós que trabalhamos com a comida fica difícil repassar isso para o consumidor, pois ainda não tiveram aumento e não têm como pagar”, conta Maria Izabel da Luz, proprietária de um restaurante em Cuiabá. 

A queixa de Maria Izabel tem base em pelo menos quatro fatores. No último mês houve reajuste no preço do boi, para correção da inflação dos últimos anos. Agregado a isso, foi anunciada a habilitação de novos frigoríficos pelo órgão sanitário da China, sendo nove deles só em Mato Grosso; somado ao fato do encerramento do ciclo agropecuário de 2017. 

A variação do preço do boi gordo à vista atingiu a marca de R$ 190,59, e R$ 196,66 a prazo nesta segunda-feira (25), uma variação de 6,18% de alta, de acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

“Realmente observamos um cenário de baixa oferta no mercado, mas que de certa forma era esperado pelo abate de fêmeas, desde 2017. Analisando o contesto histórico e o cenário do Brasil, os preços de fim de ano podem seguir em sustentação, principalmente com a proximidade das festas de fim de ano, quando a carne bovina está na mesa do consumidor. Então, este cenário de baixa de estoque de animal, somado às exportações em alta e às festividades, deve manter os preços até o início do próximo ano”, avalia Mariana Tufani analista de agropecuária do Imea.

PREÇO DA CARNE

Levantamento do Imea aponta que da primeira semana de novembro deste ano para a terceira do mês, a média das cotações da carne bovina nas gôndolas subiu 12,01%, valor correspondente a R$ 24,17/kg.

Em relação ao mesmo período do ano passado, em termos nominais, o aumento é de 19,97%, uma vez que na época os preços estavam em torno de R$ 20,15/kg. 

Dos cortes dianteiros, os que mais apresentaram aumento foram o acém (+15,29%), o peixinho (15,22%) e o peito, coxão duro e coxão mole, com valorizações em torno de 14,60%. 

Já dos cortes do traseiro, os que mais apresentaram alta foram o miolo de alcatra (+17,19%), o lagarto (+15,15%), o filé mignon (+7,93%) e a picanha (+6,74%). Com a proximidade do final de ano e demanda aquecida, esse cenário tende a se sustentar.

 

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